domingo, março 20, 2011

Uma Conspiracao Por Triangulo: O Olho de Horus e o CQC

Uma Conspiração Por Triângulo: O Olho de Hórus e o CQC


O início da quarta temporada do CQC surpreendeu a todos pelas suas mudanças artísticas, o cenário multicolorido, as vinhetas exageradas e a abertura absurda. Chamou a atenção de muitos também a presença constante do “olho que tudo vê”, o “olho de Hórus”, antigo símbolo egípcio hoje atribuído à Maçonaria e a todo o tipo de derivado do ocultismo, seitas satânicas, Illuminati e afins, em quase todas as novas vinhetas do resumo semanal de notícias. Para alguns, apenas fruto de um designer de gosto questionável, ou, bem mais provável, uma grande brincadeira, justamente para gerar publicidade e alimentar todo o posterior estudo que se segue neste “artigo” (o fato de a música tema estar ao contrário nessa nova abertura é um grande indicador dessa hipótese). Meu bom amigo, o pequeno Vinícius (@nokiniv), ponderou astutamente no tópico sobre este assunto na comunidade do CQC Brasil no Orkut (é, o Orkut ainda existe) que trata-se apenas de uma alegoria para o espírito vigilante do CQC, o clássico “eles estão a solta, mas nós estamos correndo atrás”, como se a maldade jamais escapasse aos “olhos” do programa. Talvez, seja uma mistura de tudo isso.

Se em um simples parágrafo, escrito por alguém tão ignorante como quem vos fala, tantas possibilidades plausíveis foram abordadas, parece inacreditável que pessoas achem sinceramente que esse símbolo no contexto do programa coloque o CQC no eixo da conspiração internacional Illuminati, a famosa “Nova Ordem Mundial”, seja lá o que for isso, é claro. Mas, a verdade é que, nesse instante, de todas as novidades que vieram com esta quarta temporada, nenhuma está sendo mais debatida e atacada quanto esta.

Sob estas circunstâncias, nada me resta a não ser me utilizar de meu prestígio como produtor de conteúdo e, através deste breve “artigo”, tentar impôr um pouco de bom senso em seus pequenos cérebros, leitores incultos. Em primeiro lugar, não estudarei aqui as origens e a filosofia da Maçonaria (a quem interessar, a Wikipédia está aí), muito menos da Illuminati, já que, se por um lado, apesar de igualmente imbecil, a desconfiança geral das pessoas para com a Maçonaria faz certo sentido (já que a Maçonaria de fato existe), a desconfiança para com a Illuminati chega ao nível de retardo mental, já que a Illuminati, até onde se pode afirmar, não é uma constante provável de existência pelo menos nos últimos séculos. E, não, os livros de qualidade questionável do Dan Brown não terão espaço aqui.

A primeira coisa que faz necessária, para mostrar que a ocorrência desses símbolos é perfeitamente justificável, é provar que a Maçonaria, no final das contas, não é absolutamente nada de especial. Historicamente, a Maçonaria foi sim uma poderosíssima organização no passado. Poderosíssima, em uma primeira instância, pelo seu poderio econômico. Por exemplo, qualquer cidade milenar européia que tenha sofrido alguma catástrofe que necessitou do poder privado para sua reconstrução nos últimos séculos certamente possui uma malha urbana que forma símbolos maçônicos. Londres, por exemplo, reconstruída após um incêndio que a reduziu a nada em 1666 (olhem os número dessa data, certamente há mais uma conspiração envolvida aí), teve toda sua área central reconstruída da forma como ainda existe hoje, e todas as ruas e pontos-chave dessa área inevitavelmente formam um pentagrama ou algo do gênero (para saber mais, recomenda-se a leitura da excelente graphic novel “Do Inferno”, de Alan Moore e Eddie Campbel).

Aliás, nem é preciso ir tão longe. A principal praça da minha cidade natal, Caxias do Sul, que mal é centenária, vista de cima, forma o famoso esquadro e compasso, símbolo supremo da ordem maçônica (para saber mais, assistam esse ridículo documentário feito por mim e pelo meu bom amigo @_lucasds_ para a faculdade de jornalismo, que trata justamente do tema: http://www.youtube.com/watch?v=M8Vq0H6y44c).

Você, aí em sua cidade, certamente já se deparou com algum obelisco, sem nenhum tipo de inscrição, em suas praças e parques. Isso é outro clássico exemplo da intervenção maçônica no espaço público. Você nunca se perguntou quem é a figura obscura que dá nome à sua rua? Certamente, trata-se de um maçom. Procure também qualquer vídeo sobre mensagens subliminares no YouTube (eles existem aos milhares), e você verá centenas de exemplos de outros símbolos impressos em logomarcas, filmes, livros, álbuns, e, programas, como é o caso em questão do CQC. Agora, é inevitável perguntar: qual sentido de todo essa propagação da simbologia maçônica?

Se, como muitos leitores acreditam, a Maçonaria domina o mundo por trás das cortinas há séculos, qual o sentido em nos inundar com seus símbolos todos os dias? Afinal, trata-se de um trabalho concluído, e não um que está em progresso através de uma “lavagem cerebral simbólica diária das massas” (sim, há quem creia nisso). Os fatos são, na verdade, muito mais simples. Em primeiro lugar, todos os símbolos da Maçonaria consistem em duas coisas: ou eles são símbolos que já existiam muito antes da fundação oficial da Maçonaria (no caso, o próprio “olho de Hórus” em questão, bem como o obelisco, o que levam diversos maçons a afirmarem que a Maçonaria existe, de fato, desde o tempo dos faraós, o que não poderia ser uma afirmação mais esdrúxula), ou são símbolos que simplesmente são usados em toda a parte porque são coisas normais da vida, como os “três pontos que formam um triângulo”, triângulos propriamente ditos, colunas, superfícies xadrez em preto e branco (essa inclusive figurando na nova arte do CQC também, diga-se), o número 9, a letra G, cubos, e por aí afora. Só porque há uma coluna em um edifício, você não diz que o edifício é “maçom”, da mesma forma que ninguém acusou, antes de tudo, o CQC de perpetuar os ideais politeístas atropomórficos egípcios, antes de acusá-los de terem “se vendido” para a Maçonaria. Ou seja, no final das contas, muitas das ocorrências desses símbolos são simplesmente coincidência, ou por serem símbolos que há muito fazem parte do imaginário humano por sua repetição através da história, ou simplesmente por serem formas geométricas comuns. Isso, sem contar, nas ocasiões que tais símbolos são usados justamente de forma gafolheira, como é o mais provável com o CQC.

Um ponto que levanta muita suspeita por parte dos acusadores da Maçonaria é o fato de que, ao longo da história e ainda nos dias atuais, os membros que compreendem a Maçonaria são sempre figuras históricas importantes ou pessoas ricas e influentes. Isso nos leva diretamente a outro ponto importante sobre o significado da Maçonaria na sociedade contemporânea. Ser maçom hoje é uma forma de ostentação. É o equivalente a se ter uma Ferrari, um ícone de status social. Afinal, as taxas de inscrição, e os custos subseqüentes para se ser um maçom, não são nada baratos. E é por isso que nossas praças, nossas instituições públicas e até o nosso papel-moeda estão repletos desses símbolos tolos. Afinal, a Maçonaria é formada basicamente por pessoas ricas que, na falta de grandes desafios em uma vida já estável e segura, enchem tudo o que pode ser visto com símbolos que só eles sabem o significado, como se fosse um esporte, um jogo, uma forma de preencherem um vazio existencial. Tudo um grande divertimento que, aos olhos de quem está por fora desse jogo burguês, soa bastante aterrador. Ainda aos que dizem que a Maçonaria é detentora de um “grande segredo” ou coisa do gênero, apenas pense. Se entre duas pessoas já é impossível manter satisfatoriamente um segredo, imagine entre centenas e centenas de pessoas ao longo de séculos. Se nunca nenhum segredo vazou até nós, a conclusão é muito simples. Simplesmente não há nenhum segredo. Parafraseando uma citação cujo autor me escapa agora, “o grande segredo da Maçonaria é que seus membros agem como se tivessem guardando um segredo”.


Nesta segunda-feira, como Marcelo Tas anunciou em seu twitter, que a questão dos símbolos no programa será abordada. Talvez até lá, os que não se convenceram após a leitura deste modesto artigo se convençam. Se isso não acontecer, vale a pena, como conclusão, apontar a mira dessa discussão toda em nós mesmos, consumidores de todo o tipo de teoria conspiratória e, no mesmo espectro, de doutrinas religiosas. Afinal, o que nos leva a acreditar seriamente que uma organização secreta, milenar, invisível, onisciente e onipotente controla o mundo, e os destinos de nossas vidas, a séculos? Da mesma forma, o que nos leva a acreditar em entidades espirituais, deuses, destino? Talvez, afinal de contas, seja puro conformismo. É muito mais simples aceitar que o mundo é essa desgraça que é, não por minha culpa individual, ou não por culpa da humanidade como um todo, mas sim, por culpa de uma conspiração internacional que já estava estabelecida antes do meu nascimento e que continuará no topo da pirâmide muito depois que eu tiver dado o fora desse mundo. É muito mais cômodo aceitar que, hipoteticamente, nossas vidas são esse espetáculo de horror e sofrimento porque deus quer assim, e não porque nós somos, simplesmente, humanos, e que portanto, somos suscetíveis ao erro.

OBS: O autor recomenda fortemente a leitura do romance “O Pêndulo de Foucault”, do grande Umberto Eco, um libelo contra o pensamento histórico-conspiracionista no qual grande parte deste artigo foi baseado. Até a próxima.



Rech, nasceu na primavera de 1992 em Caxias do Sul, RS. Após concluir o ensino fundamental e médio sem grandes destaques, cursa jornalismo na Universidade de Caxias do Sul, igualmente sem grandes destaques. Quando criança gostava muito de assistir Chapolin e hoje considera o bacon a oitava maravilha do mundo. Twitter pessoal: @pedroffr



Abertura do CQC http://www.youtube.com/v/hLuPBR7w0A4?hl=pt&fs=1
Mensagens Subliminares no CQC http://www.cqcblog.com/2011/03/mensagens-subliminares-no-cqc.html
Documentário do Pedro sobre símbolos da Maçonaria em Caxias do Sul
http://www.youtube.com/watch?v=M8Vq0H6y44c

Postagens Relacionadas: http://www.cqcblog.com/label/mensagenssubliminaresnoCQC

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